Poemas de António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho
Lição sobre a água
Este líquido é água. Quando pura é inodora, insípida e incolor. Reduzida a vapor, sob tensão e alta temperatura, move os êmbolos das máquinas que, por isso, se denominam máquinas de vapor. É um bom dissolvente. Embora com excepções mas de um modo geral, dissolve tudo bem, ácidos, bases e sais. Congela a zero graus centesimais e ferve a 100, quando à pressão normal.
Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão, sob um luar gomoso e branco de camélia, apareceu a boiar o cadáver de Ofélia com um nenúfar na mão. António Gedeão (1966)
Lágrima de preta
(…) Recolhi a lágrima com todo o cuidado num tubo de ensaio bem esterilizado. (…) Mandei vir os ácidos, as bases e os sais, as drogas usadas em casos que tais. Ensaiei a frio, experimentei ao lume, de todas as vezes deu-me o que é costume: nem sinais de negro, nem vestígios de ódio. Água (quase tudo) e cloreto de sódio.
António Gedeão (1961)
Poema de Fernado Pessoa
Mar Português Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma nao é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu.
Um comentário:
Muito bom o seu blog :)
Muito útil...
Com certeza que vai ser bom para os seus alunos :)
Continuação de bom trabalho*
bjinho*
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